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Pessoas auto-gerenciáveis
By Bruno Pedroso, On 14/03/08 19:13
Bloguei no
expresso
ontem sobre liderança.
Aproveito pra citar aqui também o blog do
efetividade
com outro belo artigo sobre liderança.
É um tipo habilidade que a gente valoriza bastante aqui na SEA. Em geral valorizamos habilidades sociais, tanto quanto as técnicas. Como mencionei outro dia num email cá entre nós:
"Vc sabe programar muito bem? Bom pra vc.
Vc conhece as API's de cór e salteado? Bom pra vc.
Vc tem iniciativa, criatividade, coragem e astúcia? Bom para o projeto."
É isso. Outro dia li no
Fragmental
, blog que aliás acompanho e gosto muito, umas dicas sobre entrevistas de candidatos.
Sem querer descordar do Philip Calçado, aqui na SEA preferimos guiar as coisas pra outro lado. Não nos importamos muito se o candidato "consegue descrever como o Garbage Collector funciona com muita e com pouca memória disponível" ou se consegue "identificar erros mais simples de parametrização da JVM". Essas coisas estão todas escritas em algum lugar.
Na SEA, procuramos pessoas com iniciativa, capacidade de realização, criatividade, coragem, visão, etc.
O Willi falou sobre isso
aqui outro dia...
Também não estou falando de
Workaholics
, claro. quem me conhece sabe que nunca iria pra esse lado.
Mas a qualidade que eu gostaria de destacar aqui, na verdade, é algo que dificilmente se consegue avaliar em um mês de trabalho. Que dirá numa entrevista de meia hora...
Bons programadores são acima de tudo GERENCIÁVEIS. Não importa o que vc está fazendo. Se está lidando com detalhes, na execução de um projeto, com certeza tem alguém coordenando seu trabalho. E normalmente essa pessoa está coordenando mais algumas tantas pessoas.
Não há coisa mais desagradável para um coordenador (ou líder, ou coach, ou gerente, ou o como quer que queria chamar) do que perceber que faz tempo que não ouve falar do Fulano. Aí quando chega pra perguntar como vão as coisas, o tal Fulano diz que as coisas vão indo, ou que está com dificuldades com um certo detalhe, e coisa e tal.
Como coordenador do projeto, preciso ser informado o mais rápido possível se alguém está com alguma dificuldade. Só assim poderei ajudar. Se o Fulano tem um problema e não me procura por um, dois dias, pra mim o sujeito é um enrolão.
Não temos como acompanhar o trabalho de cada um, pra saber se estão se dedicando ao trabalho como deveriam. Se precisar fazer isso, então mando o cara embora e faço logo o diabo do serviço eu mesmo!
Como valorizamos muito a comunicação - e todos que trabalham aqui sabem disso - separo os pró-ativos dos enrolões assim: Se o Fulano não dá algum feedback, por menor que seja, pelo menos de dois em dois dias, é um enrolão e pronto.
Eis uma característica marcante de metodologias ágeis como XP e Scrum. Os enrolões são desmascarados muito rapidamente. E isso ocorre não porque tem um chato fiscalizando o trabalho de todo mundo, mas porque a forma de trabalho expõe muito as pessoas. Se vc não trabalha direito, todos ficam sabendo. Essa é uma das maiores fontes de resistência interna à adoção dessas metodologias.
O mesmo ocorre com uma empresa ágil em relação a seu cliente. O fornecedor ágil se expõe mais e cria uma relação de confiança com seu cliente, que passa a ser tratado mais como um parceiro do que como um contratante. Em contrapartida, esse modelo também nos deixa mais vulneráveis e precisamos ser mais efetivos no atendimento. Não dá pra ser enrolão trabalhando assim.
Então, se seu perfil é o de tomar iniciativa, realizar projetos (no sentido mais âmplo da palavra), e dar a cara a tapa, então vc combina com a Sea. Se seu perfil é o de parecer mais do que é, de se deixar esmorecer por qualquer dificuldade, de terminar o que tinha pra fazer e ficar esperando te passarem outra coisa, então seu lugar definitivamente não é por aqui.
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